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Por Gustavo Ari Valle, Product Owner na Way2 | 23 abril, 2021 | 0 Comentário(s)

As principais atualizações para os agentes de distribuição em 2021

Assim como os outros segmentos do setor elétrico, a distribuição está passando por transformações, principalmente ligadas à abertura do mercado livre de energia. Recentemente a CCEE e a ANEEL anunciaram diversas mudanças na regulação para os agentes.

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distribuição de energia

Estamos em um ano de transformações em diversos âmbitos, inclusive no setor elétrico. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciaram  recentemente diversas atualizações para os agentes de distribuição que devem trazer melhorias e algumas facilidades, não só para os consumidores, como também para as distribuidoras.

Neste artigo, falaremos um pouco sobre essas atualizações para o segmento de Distribuição de energia e, ainda, apontamos as adequações feitas na Plataforma Integrada de Medição da Way2 Technology para comportar todas as novas mudanças. Confira!

Coleta Integrada 

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) abriu para o mercado uma ferramenta que vai facilitar a migração de agentes para o mercado livre de energia. Anteriormente, para fazer esse procedimento, cada agente que optasse pela migração precisaria instalar um medidor que fosse homologado pela CCEE e disponibilizar a ela acesso direto para fazer as verificações no equipamento. Isso dificultava um pouco a migração, pois o processo trazia mais empecilhos e acabava demorando.

Com as mudanças para 2021, a CCEE forneceu às distribuidoras a opção de utilizar a chamada Coleta Integrada, que consiste em uma integração direta entre a CCEE e o sistema de medição da distribuidora, de maneira que os agentes conectados à essa distribuidora não precisem fornecer acesso aos medidores diretamente à CCEE e, em vez disso, a câmara passará a buscar os dados de cada agente diretamente do sistema de medição da distribuidora optante dessa modalidade, uma vez que a distribuidora já efetua a leitura dos medidores desses agentes periodicamente.

Isso traz alguns benefícios bem interessantes, pois deixa de ser necessário que o agente adquira um medidor homologado para migrar para o mercado livre. Além disso, ele não precisa se preocupar com questões de infraestrutura como VPN para permitir o acesso da câmara ao seu medidor. Como consequência, a complexidade da migração para o mercado livre diminui e se torna mais simples para os agentes conectados às distribuidoras optantes desta modalidade.

Na Plataforma Integrada de Medição da Way2, já foi desenvolvido o suporte a esta integração com a CCEE, de forma que os clientes possam optar por essa modalidade. A plataforma conta ainda com uma tela de monitoramento onde é possível verificar se os dados estão sendo automaticamente enviados para a CCEE com sucesso.

migrar mercado livre

Compensação de Perdas

Outra mudança importante é referente ao cálculo de compensação de perdas. A partir de 2021, a CCEE remove a obrigatoriedade de coletar valores de energia com cálculo de compensação feito pelos medidores a partir dos parâmetros configurados nos mesmos.

Até o fim do ano passado, os medidores utilizados na distribuição precisavam possuir recursos de cálculo de compensação internos e as coletas feitas pela CCEE buscavam esses valores armazenados no medidor.

A mudança visa padronizar as estimativas de perdas técnicas de transformadores, de forma que dos medidores serão coletados apenas os valores de energia medidos sem compensação, e a CCEE irá aplicar valores de compensação padronizados, fazendo ela mesma as estimativas. O valor aplicado será de 1% para sistemas em tensão superior a 44KV e 2,5% para sistemas em tensão inferior a esse valor, tanto nas energias ativas, quanto nas reativas.

Como impacto dessa mudança, agentes que possuem medidores que não são capazes de estimar internamente as perdas técnicas, não precisam adquirir um novo medidor para se adequar aos requisitos da CCEE.

Pensando nessa alteração, a Plataforma Integrada de Medição foi adequada para permitir visualizar os dados calculados conforme o novo método, mas ainda funciona da maneira antiga via coleta, caso o usuário queira comparar os valores estimados pelo método da CCEE com as estimativas do medidor.

Indicadores de Qualidade (DRP e DRC)

Outra mudança importante na distribuição é a medição permanente dos indicadores de qualidade do produto: o DRP (Duração relativa da transgressão de tensão precária) e DRC (Duração relativa da transgressão de tensão crítica).

Até o final de 2020, esses indicadores eram medidos a partir de um sorteio das unidades consumidoras e o procedimento consistia em colocar um qualimetro temporário para coletar dados de tensão por uma semana e depois eles eram retirados. A partir das medições, a distribuidora calculava os indicadores DRP e DRC para envio à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Então, a partir de janeiro de 2021, a ANEEL pôs em vigor a REN 871, que especifica que a medição destes indicadores será feita de forma permanente e o cálculo deverá ser feito internamente no medidor para evitar qualquer possibilidade de fraude.

Ainda, o cálculo deve considerar a especificação do módulo 8 do PRODIST expurgando instantes nos quais ocorrerem variações de tensão de curta duração ou interrupções, e os valores calculados devem ficar armazenados nos medidores por um período não inferior a 5 anos.

Atualmente os medidores existentes nas unidades consumidoras, principalmente do Grupo B, não possuem essa funcionalidade. Mesmo os que já são digitais não foram feitos com o objetivo de levantar esses indicadores, logo foi definido um plano para a substituição dos medidores de todas as unidades consumidoras ao longo dos próximos anos. 

Essa substituição será gradual de forma que a cada sorteio para medição desses indicadores, em vez de utilizar um qualimetro temporariamente, a distribuidora terá que  substituir o medidor do consumidor por um medidor que coleta permanentemente esses indicadores. Os sorteios são efetuados a cada trimestre e, a cada sorteio, serão substituídos inicialmente 300 medidores. Esse valor é previsto para aumentar aos poucos de forma que em alguns anos todos os medidores sejam substituídos.

Tal mudança visa aumentar o monitoramento da qualidade do produto na distribuição, identificando mais precisamente unidades consumidoras onde a entrega de energia não é tão estável e aos poucos resolvendo os problemas que causam instabilidades.

Com essa mudança em mente, foram feitas adequações na Plataforma Integrada de Medição, permitindo agora apresentar os dados de DRP e DRC coletados conforme a regulação, mas também de forma calculada como era anteriormente, fornecendo a possibilidade de comparar o valor calculado pelo medidor e verificar inconsistências.

Com todas essas atualizações, a expectativa futura é que existam mais e mais consumidores migrando do mercado cativo para o livre, aumentando a previsibilidade do consumo para a distribuidora. Além disso, acredita-se que a qualidade da distribuição de energia melhore cada vez mais conforme temos mais dados estatísticos disponíveis sobre os indicadores da energia distribuída. 

medição de energia para distribuidoras

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