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Por Danilo Barbosa e Nayanne Brito, Diretor de Marketing e Produtos na Way2 e Engenheira de Energia na Lemon | 26 outubro, 2021 | 0 Comentário(s)

Open Energy: a abertura de dados é um passo para o futuro do setor elétrico

O setor elétrico poderá destravar novos modelos de serviços nos próximos anos, intensificando o fluxo de informações entre diferentes plataformas, através do que conhecemos como “Open Energy”.

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abertura de dados no setor elétrico

Migrando para um futuro mais digital e distribuído, puxado pelo desenvolvimento de novas tecnologias e pela necessidade crescente de eficiência e sustentabilidade, o setor elétrico poderá destravar uma série de novos modelos de serviços nos próximos anos, apoiando-se na análise e integração de dados para ofertar soluções altamente customizadas. Para isso será necessário intensificar o fluxo de informações entre diferentes plataformas, através da chamada “Open Energy”. O desafio das empresas será ampliar essas trocas sem deixar de olhar para a segurança de dados sensíveis e confidenciais.

A coleta e o processamento de dados de diferentes fontes tem sido realizada pelas chamadas APIs (Application Programming Interfaces), um conjunto de interfaces padronizadas para integrar sistemas, através das quais um sistema pode consultar dados e realizar operações em outro sistema.

Entendendo a atuação da Open Energy no setor elétrico

Open energy é o primeiro passo para trazer a digitalização do setor de energia no Brasil. Isso porque, por padrão, para atuar no setor de energia é necessário grande capital como, por exemplo, para investir em grandes usinas ou infraestrutura de transmissão. Por outro lado, ao permitir que empresas de tecnologia agreguem valor aos dados, a barreira de entrada deixa de ser investimentos suntuosos em infraestrutura e passa a ser em tecnologia e inovação. 

Uma vez reduzida a barreira de entrada, haverá naturalmente mais empresas de tecnologia interessadas em entrar no setor de energia. Essa movimentação apresenta dois benefícios óbvios: as novas entrantes tecnológicas oferecendo serviços para o consumidor e essa movimentação tende a instigar as grandes empresas a acelerarem o passo da própria digitalização.

Hoje, 82% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet, essa mesma capilaridade pode ser atingida com popularização de aplicativos de análise de dados de energia. Quanto mais empresas oferecerem serviços similares, mais será possível levar consciência energética para a população que passará a ficar mais atenta à própria conta de energia e enxergar possibilidades de economia e empoderamento sobre seus gastos.

Alguns exemplos de serviços e aplicações que podem ser desenvolvidos em escala, apenas com a promoção da Open Energy:

  • Análise de enquadramento tarifário e tributário;
  • Participação do programa de redução voluntária de consumo em períodos de crise;
  • Entendimento sobre a aplicação de bandeiras tarifárias;
  • Promoção da geração compartilhada de energia ao diminuir atritos operacionais com as distribuidoras de energia;
  • Calculadora de pegada de carbono do consumo de energia;
  • Comercializador varejista;
  • Evita redundâncias de medidores em grandes consumidores de energia;
  • Utilização dos dados para estudos acadêmicos;
  • Maior facilidade e segurança no tráfego de dados entre as instituições setoriais;
  • Resposta da demanda.

Outro exemplo de modelo de negócio por meio de Open Energy são como as empresas alavancam os próprios serviços incorporando aplicações e interfaces de outros agentes. Por exemplo, um software de gestão de energia elétrica pode integrar em um só lugar os dados de consumo de diversos clientes e indicar que seus gastos estão superiores à média dos consumidores com o mesmo perfil. Diversas parceiras acessam as APIs do serviço de medição para usinas da Way2, mediante autorização do usuário.

A Open Energy no ambiente de contratação livre

É interessante destacar que com a proximidade de uma abertura do mercado livre de energia para todos os consumidores do Brasil, a utilização de APIs e protocolos de comunicação será absolutamente necessária. Principalmente para a operação do comercializador varejista e qualquer outro agente que ofereça serviços de varejo em energia no Brasil. 

Outro ganho acessório importante da implementação de open energy é a redução significativa de custos transacionais.  Portanto, adiantar esse movimento para compartilhamento dos dados disponíveis hoje na conta é uma excelente maneira de já testar os protocolos de comunicação e ajustar os eventuais problemas. Assim, permitindo que a abertura do mercado aconteça de maneira mais célere e confiável.

A primeira etapa para implantação do Open Energy seria a simples incorporação de uma maneira alternativa de login nas APIs das distribuidoras, no mesmo formato de login com rede social. Trata-se de um protocolo bem conhecido e seguro de trocar informações. Essa alteração simples não precisa de medidores inteligentes, tampouco novos softwares para as distribuidoras. 

A evolução natural do Open Energy seria permitir tráfego de dados bidirecional, uniformização de dados de energia em escala nacional e aglutinação e anonimização para mais robustez na qualidade dos dados utilizados para planejamento energético de políticas públicas. Com essa evolução, quando houver a massificação de medidores inteligentes, o setor já estará maduro para o volume de dados que surgirá a partir daí.

Setor Elétrico e a LGPD

Nesse contexto, em que o setor elétrico incorpora a tendência de digitalização às suas operações e negócios, entrou em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (lei 13.709/18). A LGPD regula a coleta e o armazenamento de dados pessoais pelos setores público e privado. Mas, além de garantir a segurança, ela também permite esse intercâmbio de dados entre sistemas, desde que autorizado pelo titular.

O setor elétrico é consideravelmente sensível à lei por reunir dados de uma parcela significativa dos brasileiros, já que a distribuição de energia é considerada universal nas áreas urbanas do país e apenas algumas comunidades isoladas e áreas rurais ainda não estão conectadas à rede. Apesar de serem coletados e armazenados principalmente pelas distribuidoras, os dados e informações podem ser compartilhados e trocados por toda a cadeia, incluindo os elos de geração, transmissão e comercialização. 

Cabe lembrar que, além de regular o tratamento dos dados, a lei também assegura o direito à portabilidade de dados. É comum associar a portabilidade aos serviços prestados por empresas de internet e telefonia por já terem a possibilidade de escolha de fornecedor. Com a abertura do mercado, essa também será uma necessidade do setor elétrico.

Não necessariamente a portabilidade implica na troca de um fornecedor de serviço. Ela também reflete a premissa de que o cliente é o “proprietário” dos dados, presente na lei, que garante o acesso às informações coletadas e alterar decisões tomadas automaticamente por softwares baseados nos dados pessoais (como classificação de perfil profissional, de consumo ou de crédito). 

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