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Por Danilo Barbosa, Diretor de Marketing e Produtos na Way2 | 5 agosto, 2021 | 0 Comentário(s)

A maior contribuição do Japão para a sustentabilidade durante as Olimpíadas de Tóquio

Os Jogos Olímpicos de Tóquio inovaram de muitas formas para atingir seus objetivos de sustentabilidade, nos fazendo refletir sobre a criação da tecnologia LED, também de origem japonesa.

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sustentabilidade nas olimpiadas de toquio

Medalhas de metal reciclado, camas de papelão, pódios impressos em 3D com uso de plástico reciclado – de muitas formas os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 inovaram para atingir seus objetivos de sustentabilidade com zero emissões de carbono e zero desperdício. 

Além das ações voluntárias, efeitos colaterais da pandemia, como a redução de vôos e da atividade turística, farão seguramente com que as Olimpíadas realizadas no Japão sejam as mais sustentáveis da história – os jogos não são apenas neutros em emissão de carbono: créditos de carbono equivalentes a 4,38 milhões de t-CO2 foram usados como compensações para os Jogos de Tóquio em 2020.

Esse número excede em 1,65 milhão de t-CO2 a pegada de carbono das Olimpíadas estimada em abril de 2020 (2,73 milhões de tCO2). As emissões de créditos de carbono estão associadas a novos projetos, que adicionam ganhos à infraestrutura pré-existente, como a modernização e eficientização de prédios públicos. 

Os japoneses na invenção da Iluminação LED (light emitting diode)

Tudo isso tem um grande poder simbólico, embora não necessariamente um impacto significativo na proporção da escala global de emissões. Além de refletir discussões e desafios contemporâneos, as Olimpíadas são também uma ocasião para reverenciar um país e seu povo. E se essa é a edição da sustentabilidade, realizada no Japão, não podemos deixar de falar então do engenheiro Shuji Nakamura, reconhecido com o Nobel de física em 2014.

O pesquisador e seus colegas, também japoneses, Isamu Akasaki e Hiroshi Amano, foram os responsáveis pelos avanços na tecnologia de LED. Os cientistas desenvolveram juntos o diodo emissor de luz azul, que viabilizou a substituição de lâmpadas incandescentes e fluorescentes por lâmpadas até 70% mais eficientes.

A tecnologia de LED (light emitting diode), já existia há muito tempo, desde os primórdios da eletrônica. Mas só era capaz de emitir luzes vermelhas ou verdes. Não é por acaso que os olhos do Exterminador do Futuro no filme homônimo, ou do computador HAL 9000, no “Odisséia no espaço”, eram LEDs vermelhos. O futuro em que essas máquinas existem foi imaginado enquanto nós ainda tentávamos solucionar o problema de como emitir luz branca a partir desta tecnologia. 

Foram quase 30 anos de testes de diferentes abordagens e elementos químicos por engenheiros e cientistas em todo o mundo, até que o engenheiro Shuji Nakamura conseguiu o feito no início dos anos 90. Na realidade, o problema era como emitir luz azul. Com a possibilidade de emitir as três cores, o leque se abriu para qualquer combinação, incluindo a luz branca (a mesma lógica da tela dos computadores, que representam cores no modelo RBG – Red Green Blue).

O imenso impacto da tecnologia LED na redução das emissões 

Desde então, o uso global de LED aumentou substancialmente, especialmente nos últimos anos, passando de uma participação de mercado de 5% em 2013 para quase metade das vendas globais de iluminação em 2019, ou 46%. Naquele ano, foram vendidas mais de 10 bilhões de unidades, incluindo lâmpadas, tubos, módulos e luminárias.

A expectativa é que a participação da tecnologia no mercado de  iluminação cresça para 87% em 2030, considerando que governos, empresas e consumidores sigam estratégias de desenvolvimento sustentável para limitar o aquecimento global a até 1,5ºC. Além da eficiência energética e do benefício de políticas específicas de substituição de lâmpadas que consomem mais energia, a queda de preços tem um grande papel no aumento das vendas globais de LED. 

Nos últimos cinco anos, a comercialização de LED correspondeu a US$ 38 bilhões, o que contribuiu para o ganho na economia de escala da tecnologia. Há projeções que indicam que o valor de mercado anual da iluminação com LED pode ultrapassar US$ 260 bilhões em 2030, de US$ 67,6 bilhões em 2019, com taxa de crescimento anual de mais de 12%.

A aplicação mais imediata é a substituição de todas as fontes de iluminação artificial por tecnologia LED. A iluminação tem um peso relevante sobre o consumo de energia. Em 2020, representou 6% do consumo total de energia elétrica nos EUA. Com um aumento de até 70% na eficiência das lâmpadas, o impacto direto pode ser considerável.

Impacto social do acesso facilitado à iluminação artificial

Além da economia de energia, o impacto no desenvolvimento econômico pelo acesso à iluminação é enorme. Regiões subdesenvolvidas, que muitas vezes utilizam métodos primários, como queima da madeira ou de óleos para iluminação, podem ter acesso a luz branca com baterias simples, eventualmente alimentadas por painéis solares de pequeno porte. Estima-se que atualmente 770 milhões de pessoas ainda não têm acesso à rede elétrica no mundo – o quadro é especialmente grave no continente africano, onde estão 75% dessas pessoas. Se as políticas públicas e dinâmicas de mercado globais seguirem como estão, o número deve cair relativamente pouco, para 660 milhões até 2030.

Apesar do grande desafio, levar acesso à eletricidade para a população restante também cria a oportunidade de criar uma infraestrutura nova mais eficiente e inteligente.

Uma das medidas para eficiência energética e baixa emissão de carbono dos Jogos de Tóquio é justamente o uso de iluminação LED em todos os edifícios olímpicos. Medida necessária e exemplar. Concomitantemente aos jogos, milhares de lâmpadas são substituídas por modelos mais eficientes. 

As Olimpíadas de Tóquio mostram que é possível, seja em nossas casas, quando fazemos uma escolha mais eficiente no supermercado, seja em projetos de eficiência energética realizados por negócios de diversos portes, evitarmos a emissão futura de toneladas de CO2 na atmosfera. E isto é possível somente pela maturidade da indústria eletrônica japonesa e do trabalho árduo de engenheiros como Shuji Nakamura. Com o conceito “Ser melhor, juntos, para o planeta e as pessoas”, os Jogos mais uma vez unem a história do seu país sede ao restante do mundo. 

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