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Por Alex Mariano, Diretor de Tecnologia e Inovação na Way2 | 17 fevereiro, 2021 | 0 Comentário(s)

Projetos e investimentos em inovação: um olhar para o setor elétrico brasileiro

Os projetos em inovação no Brasil ainda carecem de investimentos. Em contraponto, o setor elétrico vem aumentando os investimentos ano a ano através do Programa de P&D da Aneel, que completou 20 anos no ano passado, chegando ao total R$7,62 bilhões investidos.

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inovação no setor elétrico

Anualmente, a Bloomberg publica o ranking das sessenta economias mais inovadoras do mundo, considerando critérios como o total de investimento público em Pesquisa e Desenvolvimento em relação ao PIB, quantidade de empresas de tecnologia com capital aberto, número de matrículas no ensino superior, produtividade, incentivo a projetos e investimentos em inovação, entre outros. 

Nesse ranking, o Brasil ocupou o 46º lugar em 2020. Um cenário parecido é apresentado pelo respeitado Global Innovation Index, no qual o país figura em 62º lugar entre 131 países analisados em 80 indicadores.

Esses resultados não surpreendem. Investimentos públicos em ciência, tecnologia e inovação tendem a ser considerados secundários em países em desenvolvimento. Nos últimos 10 anos, por exemplo, os recursos dos dois maiores fundos governamentais dedicados à inovação no Brasil (FNDCT e CNPq) foram reduzidos pela metade, passando de 2 bilhões de dólares para pouco mais de U$900 milhões.

Na contramão dessa redução, o setor elétrico vem aumentando os investimentos ano a ano através do Programa de P&D da Aneel, que completou 20 anos no ano passado chegando ao total R$7,62 bilhões investidos, uma média de 550 milhões de reais por ano dedicados exclusivamente à pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor elétrico. Essa curva de crescimento tende a desacelerar com a iminente sanção da Medida Provisória n° 998, de 2020, que remaneja o orçamento de P&D para frear o aumento das tarifas de energia por conta da pandemia.

Investimentos em inovação no setor elétrico 

Diante da aceleração do processo de digitalização das empresas, impulsionado pela pandemia e de uma taxa de juros sendo praticada no menor patamar desde 1996, os investimentos em Venture Capital têm registrado recordes nos últimos dois anos no Brasil. 

Segundo levantamento feito pela empresa Distrito Dataminer, foram captados 2,97 bilhões de dólares, em 2019. Em 2020, a cifra chegou a US$3,5 bilhões, representando um crescimento de 17% em relação ao ano anterior e um múltiplo de 3 vezes comparado ao investimento público mencionado anteriormente (U$900 milhões).

Parte dessas captações foram endereçadas a empresas dedicadas ao setor elétrico, com soluções que vão desde eficiência energética até mobilidade elétrica e armazenamento de energia. De acordo com o mapeamento realizado pelas PwC e Liga Ventures, existem hoje no Brasil cerca de 190 startups dedicadas exclusivamente a criar e escalar novas soluções para o setor. Para efeitos de comparação, esse mesmo levantamento indica 145 empresas dedicadas a criar novas soluções para Vendas (Sales Techs).

Como o setor elétrico pode se beneficiar de projetos e investimentos em inovação

O resultado desses investimentos em inovação ainda poderá levar alguns anos para se intensificar. Para que isso seja viável, além da modernização do setor elétrico já em curso, é fundamental que haja consistência no fluxo de investimentos e disciplina das lideranças dos agentes do setor elétrico (distribuidoras, transmissoras, geradoras, comercializadoras, etc). Assim como, iniciativas para envolver seus colaboradores e a escolha de bons parceiros para definição de processos bem estruturados.

Há uma grande variedade de instrumentos e modelos que podem ser utilizados para executar a tese de inovação desses agentes, como os programas inovação aberta, conexão com ecossistemas de inovação, acesso de qualidade ao que o cliente tem a dizer, criação de empresa de serviços, adqui-hiring, contratação direta com flexibilidade jurídica, P&D Aneel, entre outros recursos. 

Caso um ou um conjunto desses instrumentos seja praticado de forma isolada, sem consistência, disciplina e pensamento de longo prazo, a inovação e geração de novos negócios não será viável. Portanto, a disciplina na execução é considerada a chave para aumentar a capacidade dos agentes do setor elétrico a vislumbrar oportunidades, e de fato conseguir inovar.

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