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Por Sérgio Rodrigues, Analista de Produtos na Way2 | 20 outubro, 2020 | 0 Comentário(s)

Como gerenciar a demanda contratada de energia?

Analisando o perfil de consumo da operação para entender como gerenciar a demanda contratada de energia da melhor forma. Se a demanda de energia ultrapassar o valor contratado, a empresa pode solicitar alteração para evitar gastos extras.

demanda contratada de energia

A demanda contratada de energia é um item indispensável às empresas que buscam uma gestão energética eficaz. No entanto, para saber utilizá-la da melhor forma, é preciso entender como ela impacta no empreendimento.

Não tem como falar de demanda contratada, sem citar a demanda elétrica de uma máquina. O que é referente à quantidade de potência que ela requer da rede de energia a cada instante de funcionamento. E essa medida é dada em quilowatts (kW).

Como as empresas possuem várias máquinas elétricas, chamadas de cargas, a demanda de energia máxima será a soma total das potências máximas de todos esses equipamentos, a cada instante de funcionamento.

Entendendo o conceito de demanda elétrica, fica mais fácil compreender o que é a demanda contratada de energia junto a uma distribuidora.

Quando uma empresa vai iniciar suas atividades, ela celebra um contrato com a distribuidora de energia local, chamado Contrato de Uso do Sistema de Distribuição (CUSD). Nesse contrato, a empresa (consumidor) informa qual será a potência de energia necessária às suas operações. Essa potência é chamada de demanda contratada.

O que é demanda de energia?

A demanda de energia é, de forma objetiva, o valor da energia elétrica que a unidade consumidora utilizará para realizar suas operações. A carga total de demanda de uma empresa varia conforme sua natureza de operação. Nem sempre suas cargas funcionam o tempo todo e de forma simultânea. 

Algumas ficam desligadas em momentos específicos do dia. Outras até chegam a funcionar por longos períodos de tempo, mas nem sempre em sua potência máxima. Dessa forma, a demanda contratada, em geral, tende a ser menor do que a potência máxima de uma unidade consumidora.

Como saber qual demanda contratar

Primeiramente, uma empresa deve conhecer o seu perfil de consumo e a evolução de sua demanda em diferentes períodos. Isso é possível por meio de um monitoramento sistemático da sua carga, em tempo real. O que permitirá a obtenção de parâmetros confiáveis para a definição da demanda contratada ideal.

Mesmo com essa definição segura, baseada no autoconhecimento do perfil de carga, a empresa ainda terá um período de teste com a distribuidora. Esse teste acontece durante 90 dias e é garantido pela Resolução Normativa 414/2010.

O consumidor pode iniciar o período de testes estimando o seu perfil de carga, de acordo com as potências de cada máquina e os ciclos de operação previstos. Essa estimativa deverá ser informada à distribuidora para que ela esteja preparada para o fornecimento.

Durante o período de testes, o consumidor poderá avaliar o comportamento de sua carga para se assegurar de que as estimativas estão adequadas. Além de efetivar, assim, a contratação dessa demanda.

Como a demanda contratada de energia é faturada?

Um dos principais cuidados, no que se refere à demanda contratada de energia, diz respeito a entender como ela é faturada, ou seja, a maneira como a distribuidora de energia cobra pela demanda.

É comum haver confusão entre os conceitos de demanda contratada e demanda medida. E os clientes devem ter clareza de que pagarão pela contratada e não pela medida.

Se usarem menos demanda do que contrataram, ainda assim pagarão pelo o que foi contratado. E, se ultrapassarem essa demanda, pagarão pelo que consumiram e mais uma penalidade pelo montante ultrapassado (existe uma margem de tolerância de 5%).

Alterações na demanda contratada

Ao perceber que a demanda contratada de energia não é mais compatível com suas reais necessidades, o consumidor tem a opção de solicitar alteração junto à distribuidora, para aumento ou redução, desde que respeite alguns prazos e limites estabelecidos.

Contratar uma demanda de energia adequada ao perfil do consumidor é muito importante. Pois evita o desperdício de recursos com contratos superdimensionados ou penalidades por ultrapassagens de demanda.

Essa decisão passa pelo monitoramento sistemático do perfil de carga de cada empresa e pela gestão de energia como diretriz estratégica do negócio. O que permite ao negócio apresentar economias expressivas.

Aumento na demanda de energia contratada

Quando o consumidor tem a intenção de aumentar a demanda contratada, é necessário que ele notifique a distribuidora de energia. Desta forma, ela terá um prazo de 30 dias para responder ao pedido. Nesse período, irá avaliar o impacto da nova necessidade sobre o sistema elétrico:

  • Caso a distribuidora tenha que realizar obras para atender a nova demanda, os custos poderão ser cobrados do cliente;
  • Aprovada a solicitação, a distribuidora notificará o consumidor e enviará a ele um novo Contrato de Uso do Sistema de Distribuição (CUSD);
  • Ainda será estipulado um período de testes com 90 dias de duração. Para que o cliente avalie as cargas para ter certeza de que a nova demanda é adequada. Se precisar adequá-la, ele poderá solicitar o ajuste dentro da fase de testes, respeitando um limite de 50% sobre o aumento inicialmente requisitado;
  • O período de testes poderá ser prorrogado, desde que solicitado formalmente pelo consumidor à distribuidora com as devidas justificativas.

Um novo pedido de aumento terá que obedecer ao mesmo ciclo em todas as suas etapas.

Redução na demanda contratada de energia

O consumidor também precisará notificar a distribuidora sobre sua intenção de redução na demanda contratada. Ela terá os mesmos 30 dias para responder ao pedido.

  • Neste período, a distribuidora fará um recálculo de obrigações para avaliar o impacto da diminuição sobre as suas obrigações financeiras junto às transmissoras de energia;
  • Caso o impacto não seja relevante, a distribuidora enviará uma resposta ao solicitante, juntamente com o aditivo do CUSD. O que entrará em vigor a partir de 90 ou 180 dias, de acordo com a tensão de fornecimento;
  • Para novas solicitações de redução, o consumidor deverá aguardar um prazo de 12 meses.

Há ainda alguns pontos que precisam ser considerados na hora de analisar a demanda de energia:

  • Clientes tradicionais, aqueles com demanda contratada igual ou superior a 3.000 kW, não podem solicitar redução para patamares inferiores aos 3.000 kW. Esse limite será alterado a partir de julho de 2019 para 2.500 kW e, em julho de 2020, para 2.000 kW, devido a uma portaria do Ministério de Minas e Energia;
  • Clientes especiais com demanda contratada entre 500 kW e 3.000 kW, não podem solicitar redução para valores abaixo de 500 kW;
  • Clientes cativos, por sua vez, não podem reduzir a demanda contratada para valores abaixo de 30 kW.

Monitorando a demanda com gestão de energia

Alterar a demanda contratada de energia, para que seja compatível com as necessidades de consumo, protege o cliente de multas por ultrapassagem dos limites estabelecidos em contrato. Ou até de desperdiçar orçamento contratando uma demanda além do necessário.

Para que a alteração seja feita de forma assertiva, a decisão deve ser baseada em parâmetros confiáveis. Estes parâmetros devem obtidos por meio de monitoramento sistemático e em tempo real da evolução da demanda de uma empresa ao longo de diferentes períodos.

Isso é fazer gestão energética. Quando as decisões são seguras e baseadas em um profundo conhecimento das necessidades operacionais do consumidor, qualquer medida adotada tende a representar economia e otimização de recursos.

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